
O luto nos coloca em frente com aquilo que torna a experiência humana ser o que é, que é a finitude. Seja um luto por uma perda relacionada a uma morte, seja um luto por algo perdido que não necessariamente é uma morte, mas o fim de um relacionamento que existia toda uma ideia de um futuro ou de uma amizade que continha parte de si mesmo naquela relação, de um emprego…
Enfim, o luto traz consigo a ideia de fim e essa ideia, apesar de ser inerente a existência do ser humano, afinal só existimos da forma que somos por conta dessa finitude, é algo muito difícil de encarar. Contudo é justamente por isso que o luto é tão importante de ser vivido. O luto faz parte do processo de Ser humano. O luto é um dispositivo de simbolização, de elaboração. Não lutar com o sofrimento que o luto traz, como se fosse um problema.
Toda perda que o ser humano passa muda a pessoa que é. O luto traz consigo, também, a ideia de um novo começo, aprender a começar de uma outra maneira. É encarar perguntas, não com uma resposta pronta, mas com a ideia de que as perguntas podem transformar e possibilitar o se dar conta. Qual a realidade da perda? O que significa essa perda? A irreversibilidade dela. O que significa a vida para mim, já que sou finito?
O que foi que perdi naquele/ naquela que perdi? É revisitar a história que viveu junto com aquele/aquela que perdeu.
Como que eu recrio aquele que se foi dentro e fora de mim? No luto é necessário recriar, reencontrar uma nova experiência sobre aquele/aquela que perdeu.
Referências:
DUNKER, C. Lutos Finitos e Infinitos. São Paulo: Planeta do Brasil, 2023.
FREUD, S. (1917) Luto e Melancolia. In: MORAES, M. R. S. (trad.) Neurose, Psicose, Perversão. Belo Horizonte: Autêntica, 2016. (p. 99-122).




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