
Moi é uma instância utilizada por Lacan em que se refere ao eu objetificado. Para uma melhor compreensão, é possível utilizar como exemplo quando alguém diz “eu sou x,y,z”, como se esse eu fosse uma totalidade e tivesse a possibilidade de reflexão sobre seus próprios atos e contradições, que usa a linguagem voluntariamente para descrever a si e aos outros. Essa instância é considerada como imaginária e essa objetificação que a compõe deixa algo de fora, ou seja, quando eu falo de mim, algo fica de fora.
Pensar somente nessa instância é insuficiente para considerar o que está em jogo em uma análise. Uma outra forma de exemplificar isso é quando a pessoa tem um lapso, quando troca uma palavra por outra. Alguma coisa falou nessa pessoa e no momento em que ela diz “eu queria ter falado outra coisa” ou “o que eu quis dizer não foi isso, foi…” demonstra que esse suposto eu que não se reconhece com aquilo que foi falado e gostaria de dizer algo de ordem racional e “do nada” veio uma outra mensagem, às vezes até colocada como um erro. É isso que o moi representa, uma instituição alienada.
Parte do trabalho da análise é compreender o que esse lapso, ato falho, quer dizer; quando alguém está totalmente identificado com algo, por exemplo, “eu sou x” ou “eu estou y”, é compreender que esse afeto está ligado a uma rede de outras coisas, os sentidos e relações que unem esse sujeito a esse significante.
Mais importante que desvendar uma verdade, uma resposta, é facultar uma escuta que mapeie a maneira pela qual se recalcam determinadas coisas e se explicitam outras. É a forma de afirmação e apagamento que mais importam, isto é, quais são as premissas que o sujeito tem de irrenunciáveis que supõe determinadas coisas que estruturam as formas de sofrimento. O encontro psicanalítico desvela a estrutura de recobrimento e não o suposto conteúdo recoberto.




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