O título se refere a fala da Luciana Salum, no Grupo de Estudos sobre “O Seminário sobre ‘A carta roubada’”, de Lacan. Os acasos que em algum momento convieram para falar da nossa história.

Em análise, vão se contando histórias. A todo tempo, nos apresentamos a partir de verdades construídas ficcionalmente por meio de uma intersubjetividade. Tudo aquilo que contamos, a nossa construção é um conto. Um conto que vem da ordenação da cadeia significante, a qual o sujeito está submetido.

Os fatos, o que realmente foi falado, não importa. Não precisamos da exatidão dos fatos para entender aquilo que o sujeito fala em sessão. O que precisamos saber é como essa verdade foi estruturada, a partir de qual relação intersubjetiva que se chega a confirmação de uma verdade sobre a existência daquele que está contando sobre si na clínica.

Até mesmo quando um analisante fala que mentiu em análise. Qual a dimensão dessa mentira? A verdade, por vezes, está na possibilidade de mentir. Isso é diferente da linguagem que é amparada exclusivamente pelo imaginário, que é aquela que não tem equívoco. Isso não é o que se faz em análise, a clínica psicanalítica trabalha com o equívoco.

A análise vem justamente do sofrimento, porque essa tal ficção está trazendo sofrimento. Entender o porquê o analisante conta essa história baseada nesses fatos. Os fatos são inúmeros, mas apenas alguns compõe a nossa história. Por que dentre tantos fatos que aconteceram, esses que são os que ficaram? De todas as inúmeras contingências da vida, me afirmo nesses acasos. A afirmação desse acontecimento que faz com que esse acontecimento vire a minha história.

Lacan nos convida a pensar na dimensão da linguagem a partir do estruturalismo que não está vinculado a significação, mas que a significação se dá a partir da localização estrutural que esse significante tem.

 A estrutura não é um texto que começa e termina, tal qual um livro. A história de uma pessoa é feita de várias histórias e essas histórias vão se cruzando em condensações de significantes que vão aparecendo em repetições.

FONTES:

O Seminário sobre “A carta roubada”, Jacques Lacan em “Escritos”.

Grupo de Estudos ministrado pela Luciana Krissak Pinheiro Salum sobre “O Seminário sobre ‘A carta roubada’”.

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